segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cada um bebe o que pode ...


Cada um com seu cada um...

O ex-presidente norte-americano Thomas Jefferson era um apaixonado por vinhos. Conta-se que quando ele foi embaixador na França, comprava caixas e mais caixas de Bourdeaux. Costumava escrever sobre os rótulos que tomava, inclusive em suas correspondências. De volta aos EUA, Jefferson mandou um lote de garrafas made in France para o seu país, mas elas nunca chegaram ao seu destino. Os aficionados começaram então uma caça aos vinhos perdidos. Entre as garrafas estaria um raríssimo Château Lafite, de 1787.

Na década de 80, um ex-produtor musical alemão chamado Hardy Rodenstock anunciou a descoberta de uma adega repleta de vinhos que haviam pertencido a Thomas Jefferson. Entre eles o Château Lafite, que foi então vendido em um leilão da Christie’s por U$ 156 mil – o vinho mais caro do mundo. Com o dinheiro do Lafite no bolso, Rodenstock organizava degustações onde vinhos raros eram oferecidos a um pequeno grupo de privilegiados. “Sua paixão pela história do vinho é irrefutável”, chegou a afirmar o crítico americano Robert Parker sobre o alemão.

Foi quando a autenticidade de seus vinhos começou a ser questionada. No mesmo ano do leilão, a fundação responsável por administrar o museu de Thomas Jefferson afirmou que não havia nenhum registro sobre o Château Lafite nas anotações do ex-presidente. Uma análise de laboratório feita a pedido de um comprador de outro suposto vinho de Thomas Jefferson mostrou que a bebida era dos anos 60, e não do século 18. Caiu então a farsa. Rodenstock era um impostor e chamava-se Meinard Görke. O mais impressionante, diz um artigo da revista Exame sobre o caso, é que críticos como a inglesa Jancis Robinson e o americano Robert Parker simplesmente não perceberam que bebiam vinhos adulterados.

“As garrafas de Jefferson foram o grande exemplo de como as pessoas se tornam sugestionáveis quando o assunto é vinho”, escreve o jornalista americano Benjamin Wallace. Toda a história das garrafas falsificadas está em seu livro The Billionaire’s Vinegar (O vinagre do bilionário). A publicação ainda não está sendo comercializada no Brasil, mas se você estiver interessado, pode encontrá-la (em inglês) no site da livraria virtual Amazon.